
Samhain Fire Festival 2025
Quinta da Ribafria – Sintra
31 de Outubro a 2 de Novembro
Bilheteira já disponível
Prepara-te para uma jornada através do tempo, onde as tradições ancestrais ganham vida.
Explora o enredo do Samhain 2025 em Sintra. >>

Os Fire Festivals são eventos sazonais que envolvem atividades imersivas de revivalismo das tradições humanas e do seu património imaterial. Através destas atividades, que combinam artes e saberes como a música, a dança, a gastronomia tradicional, os contadores de histórias e experiências de fusão artística em cenários naturais, procuramos o construto de uma identidade coletiva sustentável e inclusiva, alicerçada na diversidade e na conexão com as origens das festividades e dos cultos humanos mais ancestrais. Estas performances procuram a transformação pessoal e coletiva e a conexão do público às antigas tradições celtas e aos ciclos da natureza.
Sobre o Samhain
O Samhain tem raízes profundas na cultura celta, sendo uma das festividades mais importantes do seu calendário. Esta antiga celebração celta marca o fim da colheita e o início do inverno, simbolizando a transição entre o velho e o novo ano. Realizado na noite de 31 de outubro para 1 de novembro, é um momento de profunda conexão espiritual, pois acredita-se que o véu entre os mundos dos vivos e dos mortos está mais fino, permitindo o contacto com os ancestrais. Refletindo a importância dos ciclos naturais na vida dos povos antigos, esta festividade influenciou tradições modernas, como o Halloween e o Dia de Finados, sendo o Magusto um herdeiro direto da tradição da velha Galécia, integrante do património imaterial galego-português.
O Samhain é um marco no ciclo do tempo. Os celtas dividiam o ano em duas grandes metades: a metade clara (primavera e verão) e a metade escura (outono e inverno). O Samhain representa o início do período escuro, uma fase de recolhimento, introspecção e preparação para os desafios do inverno. Como sociedade agrícola, os celtas dependiam das colheitas para sobreviver durante os meses frios, e esta celebração era também um momento de agradecer aos deuses pela abundância e pedir proteção.
No seu carácter de conexão com o mundo espiritual, o Samhain era visto como uma noite mágica, em que o véu entre o mundo dos vivos e o mundo dos espíritos estava mais fino. Acreditava-se que os mortos regressavam para visitar os seus entes queridos, e, por isso, eram feitas oferendas de comida e luzes (velas ou lanternas) para guiá-los de volta ao além. Ao mesmo tempo, as comunidades realizavam rituais para afastar espíritos indesejados, o que deu origem à tradição de usar máscaras e disfarces, prática que mais tarde influenciou o Halloween.
Os druidas, sacerdotes celtas, desempenhavam um papel central na celebração do Samhain. Através de rituais de fogo, profecias e oferendas, buscavam garantir a harmonia entre os mundos natural e espiritual. As fogueiras sagradas eram acesas nos topos das colinas para afastar os maus espíritos e trazer proteção à comunidade. Cada família apagava o fogo das suas casas e reacendia-o com a chama da fogueira ritual, simbolizando a renovação e a continuidade da vida.
Com a chegada do Cristianismo, a Igreja tentou suprimir as celebrações pagãs e cristianizou o Samhain, transformando-o no Dia de Todos os Santos (1 de novembro) e no Dia dos Fiéis Defuntos (2 de novembro), ambas datas de enorme importância na liturgia portuguesa. Apesar disso, muitas tradições celtas permaneceram vivas e acabaram por influenciar o Halloween, que se popularizou sobretudo nos países anglófonos.
A celebração do Samhain não é apenas um ritual do passado, ela carrega ensinamentos profundos sobre o ciclo da vida, a importância da ancestralidade e a conexão com a Natureza. Reintroduzi-lo no presente permite-nos:
- Honrar os nossos ancestrais e a História;
- Refletir sobre o ciclo da vida e a renovação pessoal;
- Fortalecer laços comunitários através de rituais e encontros;
- Resgatar o respeito pelos ritmos naturais e pelo meio ambiente.
O Samhain convida-nos a parar, refletir e preparar-nos para um novo ciclo, algo essencial numa sociedade moderna que muitas vezes perde a noção da sua própria conexão com a Natureza e com a espiritualidade.
Nos tempos atuais, a recuperação desta celebração vai além da mera recriação histórica. O Samhain oferece-nos uma oportunidade para desenvolver o autoconhecimento e a reflexão – ao encarar o ciclo da vida e da morte, o ser humano desenvolve uma maior consciência sobre a importância do desapego, da renovação e da transformação pessoal.
No sentido da valorização do património cultural – trazer o Samhain para a contemporaneidade permite resgatar tradições celtibéricas ancestrais e fortalecer a identidade cultural, promovendo um maior respeito pela História e espiritualidade dos povos antigos.
Na perspetiva da conexão com a Natureza e sustentabilidade – como uma celebração ligada aos ciclos naturais, o Samhain relembra a importância da harmonia com o meio ambiente, incentivando práticas sustentáveis e o respeito pelos ritmos da Terra.
Procuramos o fortalecimento da comunidade – a partilha de histórias e momentos de celebração coletiva reforça os laços entre pessoas, promovendo um senso de pertença e união social.
Na senda da espiritualidade e do bem-estar interpessoal – numa sociedade acelerada e muitas vezes desconectada de tradições e rituais significativos, o Samhain oferece um espaço para a introspecção e a celebração do sagrado, influenciando o equilíbrio emocional e espiritual.
Ao trazer o Samhain para o presente, estamos a criar um momento de celebração, mas também de pausa e reflexão, onde indivíduos e comunidades podem reencontrar um sentido mais profundo de existência, reconectando-se com as suas raízes e projetando um futuro mais consciente e equilibrado.
O nosso grande objetivo é criar um senso de comunidade, uma apreciação da natureza cíclica das estações e uma conexão humana com o meio ambiente – algo que é frequentemente negligenciado na nossa vida urbana moderna.